Camila Svenson and Pétala Lopes
Mythos x Flaneur

Pétala Lopes

Camila Svenson and Pétala Lopes view Treze de Maio not as their protagonist, but as a hidden narrator. Photographers who reside near Treze de Maio, Camila Svenson and Pétala Lopes founded the Amapoa Collective in 2016. Born out of a desire to strengthen the role of women in the field of contemporary photography, the Amapoa Collective focuses on long-term projects that dialogue with space and the experience of memory, ties, and belonging. Camila Svenson and Pétala Lopes' [photo] essay [in Flaneur] originates in the vulnerable encounter between photographer and subject, constructing a fragmented narrative about the intimate and particular universes (real or fictional) of their female subjects. Treze de Maio, Camila Svenson and Pétala Lopes describe, has inseminated their subjects with their loves, their feelings, and their memories.

 

We're celebrating the launch of Flaneur magazine's seventh issue with special interviews from female artists featured in its pages. Each issue of Flaneur zooms in on just one street, somewhere in the world. This time, it's Treze de Maio in São Paulo, Brazil.

Find Flaneur and the full issue here.

Camila Svenson

 

Camila Svenson graduated in Photojournalism and Documentary Photography from the International Center of Photography (ICP) in New York. She works in documentary photography, seeking an understanding of how people connect with each other and with the places they live. While participating in an artistic residency at the Fjúk Art Center in Húsavik, Iceland, she developed the project, "You Will Never Walk Alone," which was exhibited at the Museum of Image and Sound (MIS) in São Paulo in 2017 and has been part of collective exhibitions in the United States, Colombia, Brazil, and Iceland.

Pétala Lopes began her studies in photography aged 17, in the technical course of the ImageMagica school of the documentary photographer André François. She graduated in 2015 from the Seminary of Contemporary Photography in Mexico City, where she completed the project Suspension, in which she works with themes of the unspeakable, non-belonging, travel, and paralysis. She has also developed research for the project Algoldonero, which investigates the disappearance of girls in the State of Mexico. Pétala Lopes currently lives and works in São Paulo.

This interview was conducted over email. Questions were sent in both English and Portuguese, and responses were given in Portuguese, then translated into English. Both versions are included here.
 

 from a 170km pilgrimage to one of the largest Catholic festivals in Brazil, bringing together more than 100 thousand people, in honor of the country's patroness, Our Lady Aparecida.  Colectivo Amapoa

from a 170km pilgrimage to one of the largest Catholic festivals in Brazil, bringing together more than 100 thousand people, in honor of the country's patroness, Our Lady Aparecida. Colectivo Amapoa

ON FLANEUR


Q: Camila’s biography states that she “seek[s] an understanding of how people connect with each other and with the places they live.” What did you learn about the women of Treze de Maio in the creation of this project?

A: The process of creating this work was very complex and made us question our place as photographers a lot, and why we have such a great interest in people's lives. We have mainly learned that producing something with respect to the other is something extremely complex. The result of a meeting between this 'other' and the photographer produces a fiction, always (perhaps this was the main lesson in the work of Treze de Maio at the end of the [women's] accounts: photography is always a spin-off, and that's okay) - the point is to take care that this fiction is ethical, honest, and as horizontal as possible. Every woman portrayed has a very unique and peculiar attribute. What is included in the magazine is a minimal clipping of stories that they have decided to share with us. Our work is not about the women of Treze de Maio but about this brief meeting between them and us.
 

SOBRE FLANEUR


Q: A biografia de Camila afirma que ela “busca uma compreensão de como as pessoas se conectam umas com as outras e com os lugares em que vivem”. O que você aprendeu sobre as mulheres de Treze de Maio na criação deste projeto? 

A: O processo de criação deste trabalho foi bastante complexo e fez a gente questionar muito nosso lugar como fotógrafas, e o porquê temos esse interesse tão grande na vida das pessoas. Aprendemos principalmente que produzir algo que diz respeito ao outro é algo extremamente complexo.. O resultado de um encontro entre este ‘outro’ e quem fotografa gera uma ficção, sempre (talvez este tenha sido o principal aprendizado no trabalho da 13 de maio no final das contas; fotografia é always uma fição e tudo bem) - a questão é tomar cuidado para que esta ficção seja ética, honesta e o mais horizontal possível. Cada mulher ali retratada possuí um universo muito particular e único, o que esta ali na revista é um recorte mínimo de histórias que elas resolveram dividir com a gente. Nosso trabalho não é sobre as mulheres da 13 de maio e sim sobre este breve encontro entre elas e nós. 
 


Q:  Perhaps even more intimate than taking someone’s portrait is collecting and publishing her personal object-memories. What do you feel motivated your subjects to share such intimate artifacts of their lives?

A: We wanted to add other narrative layers within the work that went beyond our photography - also increasing the autonomy and level of collaboration. Each woman has at their fingertips what they wanted to show, the way they wanted to be seen, these elements are also very powerful tools when we want to articulate a fiction that starts from someone's life.


Q: Talvez ainda mais íntimo do que pegar o retrato de alguém é colecionar e publicar suas memórias de objetos pessoais. O que você acha que motivou seus participantes a compartilhar tais artefatos íntimos de suas vidas? 

A: Queriamos adicionar outras camadas narrativas dentro do trabalho que fossem além da nossa fotografia - aumentando também a autonomia e o nível de colaboração junto com as personagens. Cada mulheres selecionou a dedo aquilo o que queriam mostrar, a maneira como pretendiam ser vistas, estes elementos também são ferramentas muito poderosas quando queremos articular uma ficção que parte da vida de alguém. 
 

 from Camila Svenson's series, "100 Cartas de Amor," in which she asks women who identify as lesbian to write her a love letter. The letter, besides being an object that synthesizes the experience of loss and rupture, also reflects about clichés and linguistic standards used when we talk about love.  http://www.camilasvenson.com/100-love-letters-for-whoever-cares

from Camila Svenson's series, "100 Cartas de Amor," in which she asks women who identify as lesbian to write her a love letter. The letter, besides being an object that synthesizes the experience of loss and rupture, also reflects about clichés and linguistic standards used when we talk about love.
http://www.camilasvenson.com/100-love-letters-for-whoever-cares


Q: Romantic and sexual love seems to be a prominent theme in both your work in Flaneur and elsewhere (Camila’s series on lesbian love letters, for example). What is most compelling to you about this topic? Most challenging?

A: Yes. This is really a recurring theme in our work. The motive behind this is the consistent quest for an encounter that is relevant to the other. We like to discuss and think about how vulnerability can and does build the mutuality we establish in our relationships - and how this vulnerability connects with the camera, with the image as well. As much as we are always photographing other people, we end up looking for meeting points that connect with our own experiences - maybe that's why love and relationships are subjects so latent.


Q: Amor romântico e sexual parece ser um tema proeminente em seu trabalho em Flaneur e em outros lugares (a série de Camila sobre cartas de amor lésbicas, por exemplo). O que é mais atraente para você sobre esse assunto? Mais desafiador? 

A: Sim. Essa é realmente uma temática recorrente nos nossos trabalhos. O esqueleto por trás é sempre essa busca eterna por um encontro que seja pertinente com o outro . A gente gosta de discutir e pensar em como a vulnerabilidade pode e é construída nas relações que estabelecemos em nossos relacionamentos - e como esta vulnerabilidade dialoga também com a câmera, com a imagem. Por mais que a gente esteja sempre fotografando outras pessoas, acabamos buscando pontos de encontro que dialoguem com as nossas próprias vivências - talvez por isso o amor e os relacionamentos sejam temas tão latentes.
 


Q: What do you hope that this project communicates to the viewer? Or with what spirit do you hope the viewer approaches it?

A: We expect this work - one way or another - to act as a mirror for people who are interested in seeing it. Photography does not make sense if there is no meeting place where we can recognize each other - recognize our own memory, our vulnerability, our love stories.
 


Q: O que você espera que este projeto comunique ao espectador? Ou com que espírito você espera que o espectador se aproxime disso? 

A: A gente espera que este trabalho - de uma maneira ou de outra - funcione como um espelho para as pessoas que se interessem em ve-lo. A fotografia não faz sentido se não houver um ponto de encontro onde a gente possa se reconhecer no outro - reconhecer a nossa própria memória, a nossa vulnerabilidade, nossas histórias de amor. 
 


ON AMAPOA


Q: Can you talk about the collective and why you started it?

A: Amapoa began two years ago. Pétala and I had been friends for a long time - and we always identify a lot in the way the other thinks and discusses an image. We started a project together about the lesbian women of the city where we live, São Paulo - and from there we decided to structure and give a name to this meeting for the involvement of everyone.

We are a collective that came much from photojournalism - but now, we are moving to other spaces with our projects where we would like to leverage a discussion about possible intersections between documentary and fictional narratives.

When Amapoa emerged, our main goal was not to discuss the role of women in photography - we believed that this would already be implicit in the fact that we are women, we are lesbian and we are in the market, producing. I think this 'label' appears as a necessity, we started knocking on doors of different places and saw how difficult it was to gain influence as a woman and as a photographer. From the way we are treated, it was obvious they did not take our work seriously ('Look how cute these girls are, they photograph') because they see that the largest newspapers and magazines in the country use men photographers in their productions, festivals and photography awards - where often the speakers are mostly men, and the winners of the prizes as well. We have noticed this problematic niche and we have begun to mobilize ourselves, organize courses that encourage women's authorial production, challenge media, festivals and photography prizes, show the work of women around, exhibit, etc.
 


SOBRE AMAPOA


Q: Você pode falar sobre o coletivo e porque você começou?

A: O Amapoa começou dois anos atrás. Eu e a Pétala já éramos amigas a muito tempo - e sempre nos identificamos muito na maneira como a outra pensa e discute a imagem. A gente começou juntas um trabalho sobre as mulheres lésbicas da cidade onde moramos, São Paulo - e a partir dai decidimos nos estruturar e dar um nome para esse encontro todos que estava acontecendo.

Nós somos um coletivo que veio muito do fotojornalismo - mas agora, estamos movendo para outros espaços com os nossos projetos onde queremos potencializar uma discussão sobre possíveis intersecções entre narrativas documentais e ficcionais.

Quando o Amapoa surgiu, o nosso principal objetivo não era discutir o papel da mulher na fotografia - a gente acreditava que isso já estaria implícito no fato de que somos mulheres, somos lésbicas e estamos no mercado, produzindo. Acho que esse ‘rótulo’ aparece como uma necessidade mesmo, a gente começou a bater na porta dos lugares e vimos como é difícil se impor enquanto mulher e enquanto fotógrafa. Desde a maneira como somos tratadas, como se não levassem a sério nosso trabalho (aquele comportamento de ‘olha que gracinha as meninas, elas fotografam’) até perceber que os maiores jornais e revistas do país utilizam fotógrafos homens em suas produções, além dos grandes festivais e prêmios de fotografia - onde muitas vezes os palestrantes são em grande maioria homens, e os ganhadores dos prêmios também. A gente percebeu esse nicho problemático e começamos a nos mobilizar, a organizar cursos que incentivem a produção autoral das mulheres, a contestar as mídias, os festivais e prêmios de fotografia, mostrar o trabalho de mulheres por ai, indicar, etc. 
 

 from  Colectivo Amapoa 's series on lesbian culture in São Paulo.  http://coletivoamapoa.virb.com/sapatao

from Colectivo Amapoa's series on lesbian culture in São Paulo.
http://coletivoamapoa.virb.com/sapatao

Q: What are the greatest challenges female artists face in your community, and how are you attempting to address them?

A: It is certainly the validation, the recognition, that we should be taken seriously. We have to emphasize, repeat and fight for a space (however small it is) a thousand times more than a straight white photographer. Photography in Brazil still follows very old patterns, and ends up ceding to the usual discourse - and this discourse is made up mostly by men. It is a fundamental obligation of festivals and prizes, for example (in view of the history that jurists and winners are always mostly men) to encourage women to send their work, and we see to the happenings of these things. At the end of the day we end up talking about the same people, and rewarding the same jobs. Photography has to be remodeled entirely and the woman's space should be the number one priority.
 

Q: Quais são os maiores desafios que as artistas femininas enfrentam em sua comunidade e como você está tentando lidar com elas? 

A: Com certeza é a validação, o reconhecimento, sermos levadas a sério. A gente tem que enfatizar, repetir e lutar por um espaço (por menor que ele seja) mil vezes mais do que um fotógrafo hétero branco . A fotografia no Brasil ainda segue moldes muito antiquados, e acaba se fechando ao discurso de sempre - e esse discurso é feito em grande maioria por homens. é papel fundamental dos festivais e prêmios por exemplo (tendo em vista o histórico de juris e vencedores serem sempre majoritariamente homens) incentivar as mulheres a enviarem seus trabalhos, e a gente vê que isso não acontece. No final das contas a gente acaba falando sobre as mesmas pessoas, e premiando os mesmos trabalhos. a fotografia tem que ser repensada como um todo, e o espaço da mulher deveria ser a prioridade numero um. 
 


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Sophia Richards